Santo Franciscano do dia: B Lucas Bellúdi B Lucas Bellúdi

Sacerdote da Primeira Ordem Franciscana, discípulo de S. Antônio de Lisboa (1195-1285), com culto aprovado por Pio XI (18-05-1927).

Nasceu em Pádua por volta de 1195. S. Francisco, de regresso do Oriente no verão de 1220, atravessou a região de Véneto, detendo-se em Pádua; e junto à igreja de Santa Maria de Arcella mandou construir um pequeno convento para alguns dos seus seguidores. Em Arcella deu o hábito das Senhoras Pobres de Santa Clara à B. Helena Enselmíni, e o hábito dos Frades Menores a um jovem sacerdote chamado Lucas Bellúdi.

Ali viveu esse religioso durante sete anos, entregue ao apostola- do e à mortificação. Foi então que escreveu os seus Sermões, conservados em preciosos códices. Em 1227 encontrou-se com Santo Antônio, e desde então os dois amigos, como duas almas gêmeas, andaram juntos. No Pentecostes de 1227 Santo Antônio tomou parte no Capítulo Geral na Porciúncula, onde foi eleito Ministro Provincial duma extensa Província que abrangia toda a Itália setentrional, e tomou Lucas como seu acompanhante. Estava com ele quando o santo em Roma pregou a quaresma perante o papa Gregório IX. Em 1230 também os dois participaram 110 Capítulo Geral de Assis e presenciaram a trasladação dos restos mortais do Santo fundador da igreja de S. Jorge para a nova basílica, construída na colina do Paraíso. No regresso de Assis detiveram-se em Campo-sampietro, onde o conde Tiso deu atenciosa hospedagem ao santo taumaturgo, cuja saúde estava muito abalada. Notando que a doença se ia agravando, Lucas quis transportar o santo para Pádua, mas em Arcella, em 13 de junho de 1231, teve de assistir à agonia c à morte daquele a quem tanto tinha amado e venerado.

O resto da vida do B. Lucas teve momentos muito alegres. O seu santo mestre foi canonizado pelo papa Gregório IX apenas 11 meses após a morte, e em Pádua lançavam-se os alicerces da grande basílica que através dos séculos cantaria as glórias do taumaturgo. Na glorificação do mestre desempenhou o discípulo um relevante papel.

Ezelino II de Romano, verdugo e tirano, a quem Dante imortalizou como condenado entre os criminosos sanguinários mergulhados em seu próprio sangue, continuava a sacrificar vítimas inocentes. Imitando o gesto desassombrado do mestre, o B. Lucas também teve a coragem de se apresentar diante dele em Ansedísio, verbe- rando-lhe as injustiças e os delitos. Ezelino sentenciou: “Frei Lucas seja perdoado, mas a sua família seja condenada ao desterro”. E a sentençe teve de ser cumprida.

O B. Lucas adormeceu santamente no Senhor por volta de 1285, para se encontrar em definitivo com seu mestre. Contava 90 anos, 65 dos quais passara no serviço de Deus e dos irmãos, com admirável espírito de devoção e dedicação.

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