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05/04/2017 Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM (http://www.franciscanos.org.br/?p=129193) Notícias Os passos da Semana Santa
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Não celebramos a Páscoa apenas no dia da Ressurreição, nem mesmo nos três dias do Tríduo Pascal, mas durante uma semana inteira, uma semana santificada. Vai da celebração dos Ramos ao domingo dos domingos que é a Páscoa. Sete dias da nova criação que são colocados ao lado dos sete dias criação. O mistério da Páscoa do Senhor é a recriação do homem, bem como do universo.  A Ressurreição nos conduz àquilo que a tradição chamou de oitavo dia, Dia do Senhor, o  Dia que rompe o ciclo do tempo aqui e abre para a realidade da eternidade. Os cristãos ortodoxos denominam estes dias de a “Grande Semana”.

tique-30 Ramos: entre a glória e o abaixamento

A procissão dos Ramos inaugura a Semana Santa lembrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que é seguida da leitura da Paixão. Glória e abaixamento estarão presentes em todos os dias de Grande Semana. O paradoxo é a própria língua do mistério.  A procissão é como o sinal sacramental da Páscoa, que é travessia, caminho, êxodo.  Entra-se na igreja com as palmas, como na sexta-feira se entrará com a cruz e na vigília do sábado com o círio pascal.  A procissão de Ramos fala da coragem da partida, da esperança de uma terra e de uma humanidade nova. A alegria da procissão, dos cantos, das folhagens entra em confronto com o tema do sofrimento do Senhor.

tique-30 Segunda-feira Santa

João descreve uma cena que se passa em Betânia. Seis dias antes da Páscoa Jesus se encontra em casa de Marta, Maria e Lázaro. Participa de uma refeição com outros convidados. O Mestre, na hora do aperto no coração, está entre amigos. Maria toma uma libra de perfume de nardo e lava os pés de Jesus, enxugando-os com seus cabelos. Judas discorda. Vale a pena prestar atenção na palavra de Jesus: “Deixai-a, ela fez isso em vista da minha sepultura. Pobres sempre os tereis convosco, enquanto a mim nem sempre tereis”.  Há um gasto perfeitamente lícito. O culto ao Senhor não fez com avareza de qualquer sorte.

tique-30 Terça-feira Santa

Novamente o evangelista João diz que Jesus, à mesa, está profundamente comovido. Alguém há de entregá-lo. Quando um estranho nos faz mal chegamos quase a compreender. O que haveria de trair a  Jesus era um discípulo, estava ali, aquele que comia um pedaço de pão mergulhado no vinho. Judas sai.  Era noite. Hora das trevas. A hora de  Jesus estava chegando. Hora de sua glorificação. Pedro, por sua vez, adianta-se e fala de sua vontade de fidelidade e de dar a vida pelo Mestre.  “O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. Poucas horas depois, no pátio do governador, ele haveria de negar o Mestre. Depois da covarde negação, Pedro sai para fora e era noite.  Estava, de fato, se avizinhando a hora das trevas.

tique-30 Quarta-feira Santa

Judas acerta com os sumo-sacerdotes que trinta moedas de prata   constituíam uma soma para que lhes entregasse Jesus. Jesus de valor infinito é trocado por um punhado de moedas.

Estamos diante do mistério de Judas. Acautelemo-nos em julgá-lo. Quantas vezes nós mesmos negamos a Jesus por covardia, falta de empenho e de generosidade.

Judas e Jesus se encontram num face a face no final da caminhada.  Não se trata de um “determinismo”. Judas agiu com liberdade. “A liberdade é um dom, mas o seu reto uso é uma conquista, é fruto da correspondência à graça divina.  Nada é mais arriscado do que acostumar-se com a graça: pode vir a ser irreparável. É possível até acostumar-se com a Eucaristia. A Semana Santa é a mais trágica celebração da liberdade humana em seu mistério mais profundo, no livre e irrevogável não de Judas  e no livre e irrevogável  sim de Cristo à vontade do Pai” (Missal Cotidiano  da Assembleia Cristã, Paulus, p.327).

tique-30 Quinta-feira Santa – O banquete do amor

Na quinta-feira Santa, celebramos a última ceia, a última refeição de Jesus. A refeição pascal, judaica, familiar e festiva era o memorial da libertação do Egito. Comia-se ritualmente o cordeiro pascal  como naquela noite, outrora, em que Deus havia tirado os hebreus das mãos do faraó.   Jesus faz o memorial de sua morte e de sua ressurreição, a Páscoa nova na qual a salvação é oferecida a todos. O Cordeiro da Páscoa é ele. Esta refeição é o banquete anunciado pelos profetas, as núpcias de Deus com seu povo.

Nesse dia festivo, canta-se o Glória que havíamos deixado de lado desde o começo da Quaresma, acompanhado do alegre tilintar dos sinos  que depois vão se calar até a Vigília Pascal,  quando haver-se-á de cantar a glória do céu e paz na terra aos homens por ele amados.

Nesta quinta-feira somos convidados a refazer o que Jesus pediu aos apóstolos, naquela ocasião: “Cuidai de fazer todos os preparativos necessários  para nossa refeição pascal”. O Cristo, hoje, não pode se fazer presente entre nós a não ser se uma assembleia  o deseja e lhe prepara a vinda.

A quinta-feira é também o dia do lava-pés. Trata-se de um dos gestos mais fortes que revela a pessoa de Jesus.  Somos convidados a  viver a alegria e a partilha. Tal se dará somente na medida em que tivermos gravada dentro de nós a cena do lava-pés.  Trata-se do anúncio da cruz.

A cerimônia termina com uma procissão festiva para fora do templo  com o pão eucarístico que será colocado à mesa no dia seguinte. Na sexta-feira de manhã, a igreja que, na véspera, estava toda enfeitada  como uma sala de núpcias, agora tem quase a frieza de um túmulo!

tique-30 Sexta-feira Santa – A cruz que dá vida

A grande celebração da Cruz do começo da tarde nos faz ouvir, uma vez mais, a Paixão segundo João. Momento de contemplação densa e de tocante desejo de silêncio. Depois faz-se a oração da comunidade.  Desfilam as grandes intenções. É  Cristo que reza por nossas bocas.

Em seguida uma cruz é introduzida no espaço celebrativo  acompanhada por ceroferários. Aos poucos o celebrante descobre o corpo do Crucificado e realiza-se a veneração do santo lenho do qual pendeu a salvação do mundo. Através de todos os ritos é nosso ser, são nossas lágrimas, nossas alegrias que são transformadas. Comungamos, em seguida, o pão eucarístico consagrado na véspera. Nesse dia não se celebra a Eucaristia. Trata-se de um sinal forte da unidade do acontecimento pascal  celebrado em três dias:  Jesus se dá na última ceia;  acontece o dom  em sua morte na cruz, no dia seguinte, é expressão desse dom e na noite da Ressurreição. Sua vida vitoriosa é dada. Cada vez que nos alimentamos do pão consagrado  comungamos o  Cristo servidor, o Cristo crucificado e o Cristo ressuscitado.

tique-30 Sábado Santo – O “shabat” de Cristo

No sétimo dia, o Senhor descansou de toda  sua obra, como lemos no livro do  Gênesis. Os Padres da Igreja interpretaram o Sábado Santo  como  o ‘shabat’ de Cristo depois de sua obra de recriação do homem pela Cruz. Como Deus depois da criação havia descansado no sétimo dia, da mesma  forma Jesus chega ao repouso depois da obra da nova criação, da obra da salvação. A ausência de liturgia eucarística daria como que uma forma de sacramento a este vazio. Como se a ausência, o vazio, pertencesse à profundidade da fé. Sabemos que todo relacionamento de amor que não assume a provação do vazio e da ausência vive num voltar-se para um espelho, para a ilusão e a posse. A Igreja, no sábado, faz a vigília na oração.

tique-30 Vigilia pascal – A noite da iluminação

A celebração da Ressurreição de Cristo começa na noite  através de uma grande festa da luz. Os fiéis se reúnem na parte exterior do templo, na escuridão. Nos lugares onde há batismos os catecúmenos ocupam lugar de destaque ao lado dos fiéis. Vão ser “iniciados” e “iluminados”, integrados à comunhão dos discípulos ao receberem os sacramentos, o primeiro deles sendo o batismo.

Acende-se a fogueira. Primitivamente o fogo era aceso com faíscas obtidas pela fricção entre duas pedras. A chama brota da pedra do túmulo. A chama é grande, capaz de devorar e iluminar a noite. Ela é símbolo da vida nova que  a morte não pode apagar.

Perto está o grande círio, marcado com os sinais de Cristo: a cruz, as letras alfa e ômega, os algarismos do ano em curso. No Apocalipse, o Cristo é designado de Alfa e Ômega, o princípio e o fim.  Aos poucos todo o templo é iluminado com dezenas de velas acesas.  Noite de luz! A noite será mais clara que o dia.

São João Crisóstomo: “Vós que buscais a Deus e que amais o Senhor  vinde degustar a beleza e a luz desta festa. Ricos e pobres, vivei na mesma alegria. Fostes diligentes ou preguiçosos? Celebrai este Dia! Vós que  jejuaste e vós que  não jejuastes, hoje alegrai-vos. A mesa do banquete de festa está posta: degustai todos, sem reticência alguma!”

O canto do Exulte enche o templo. Que dos céus desçam os anjos triunfantes, que soem as trombetas. Alegre-se a terra, alegre-se a Mãe Igreja. Que Deus escute o Aleluia cantado por todo o povo.

A  liturgia da Palavra desenvolve os principais temas da Páscoa.  Ela é recriação, libertação, soerguimento dos mortos. O conjunto de leituras, cânticos e responsórios constituem uma catequese da fé pascal. Durante um bom espaço de tempo, sem pressa, são proclamadas as maravilhas que o Senhor foi operando na história: criação, vocação de Abraão,  travessia do Mar Vermelho,  o Deus esposo de Isaías,  caminhada  rumo ao esplendor do Senhor na pena de Baruc, o tema das águas puras e do coração novo e assim se chega ao portal do Novo Testamento.  Uma vigília que já consiste numa festa…

A terceira parte da Vigília é a liturgia batismal, tão consentânea com a festa. Na Igreja antiga era nessa grande noite da Páscoa que se realizava a iniciação aos mistérios cristãos: o batismo, a crismação pelo bispo – nossa confirmação – e o acesso à mesa eucarística. Em nossos dias, mesmo quando não há batizados, há a bênção da água e da aspersão.

No final de tudo  acontece a liturgia eucarística da noite de Páscoa.

Nota:
Texto de apoio:
Initiation  au mystère de Pâques
Revista Panorama (França)  abril de 2004

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