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14/04/2017 EPC Notícias Sexta-feira Santa – A cruz que dá vida
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Salmo 21(22),2-23 [24-32]

  • – Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? *
  • E ficais longe de meu grito e minha prece?
  • – Ó meu Deus, clamo de dia e não me ouvis, *
  • clamo de noite e para mim não há resposta!
  •  
  • – Vós, no entanto, sois o santo em vosso Templo, *
  • que habitais entre os louvores de Israel.
  • – Foi em vós que esperaram nossos pais; *
  • esperaram e vós mesmo os libertastes.
  • – Seu clamor subiu a vós e foram salvos; *
  • em vós confiaram e não foram enganados.
  •  
  • – Quanto a mim, eu sou um verme e não um homem; *
  • sou o opróbrio e o desprezo das nações.
  • – Riem de mim todos aqueles que me veem, *
  • torcem os lábios e sacodem a cabeça:
  • – “Ao Senhor se confiou, ele o liberte *
  • e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”
  •  
  • – Desde a minha concepção me conduzistes, *
  • e no seio maternal me agasalhastes.
  • – Desde quando vim à luz vos fui entregue; *
  • desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus!
  • – Não fiqueis longe de mim, porque padeço; *
  • ficai perto, pois não há quem me socorra!
  •  
  • – Por touros numerosos fui cercado, *
  • e as feras de Basã me rodearam;
  • – escancararam contra mim as suas bocas, *
  • como leões devoradores a rugir.
  •  
  • – Eu me sinto como a água derramada, *
  • e meus ossos estão todos deslocados;
  • – como a cera se tornou meu coração, *
  • e dentro do meu peito se derrete.
  •  
  • =Minha garganta está igual ao barro seco, †
  • minha língua está colada ao céu da boca, *
  • e por vós fui conduzido ao pó da morte!
  • – Cães numerosos me rodeiam furiosos, *
  • e por um bando de malvados fui cercado.
  •  
  • – Transpassaram minhas mãos e os meus pés *
  • e eu posso contar todos os meus ossos.
  • = Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! †
  • Eles repartem entre si as minhas vestes *
  • e sorteiam entre si a minha túnica.
  •  
  • – Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, *
  • ó minha força, vinde logo em meu socorro!
  • – Da espada libertai a minha alma, *
  • e das garras desses cães, a minha vida!
  •  
  • – Arancai-me da goela do leão, *
  • e a mim tão pobre, desses touros que me atacam!
  • – Anunciarei o vosso nome a meus irmãos *
  • e no meio da assembleia hei de louvar-vos!
     
  • (– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
  • Como era no princípio, agora e sempre. Amém.)

 O poder do sangue de Cristo

  • Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo
  • (Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177) (Séc.IV)

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.

Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.

Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte.

Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu novo nascimento.

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